15 de mai. de 2014

hipsters

Tenho certeza que todo mundo tem algum amigo hipster. Ah, caso você não saiba o que é um hipster, continue lendo as próximas linhas. Caso você saiba o que é um hipster, também leia as próximas linhas porque deu um trabalho danado encontrar uma definição para esse grupo tão amado da sociedade.

Dicionário Lucas de Português, 2014.
hipster. s.m. Palavra pertencente à língua inglesa que se refere comumente a uma pessoa que possui determinados atributos, dos quais invariavelmente tal pessoa se orgulha. Destaca-se entre os atributos: 1. vestir camisetas irônicas ou xadrez; 2. usar óculos mesmo quando não possui nenhum problema de visão; 3. no caso de hipsters homens é imprescindível o uso de barba malfeita ou apenas um bigode ridículo; 4. apropriar-se de elementos não atuais de outros determinados nichos culturais; 5. ouvir bandas das quais ninguém nunca ouviu falar; 6. ter como bicicleta o principal meio de transporte; 7. odiar tudo que seja mainstream.
Bom, tendo o conceito de hipster esclarecido, posso apostar um pirulito que todos têm um amigo (ou mais) que se encaixa em tal definição. (Caso você não tenha um amigo hipster, atente-se a seus hábitos e gostos, você pode ser um deles).

Mas vamos direto ao assunto porque o objetivo desse texto não é definir hipster, muito menos servir como quiz do BuzzFeed para descobrir se você é ou não um autentico representante dessa categoria (para aqueles que querem o quiz, aqui está: http://www.buzzfeed.com/katienotopoulos/are-you-a-hipster). O motivo pelo qual estou escrevendo é simples: ensinar como se ganha uma guerra de bandas obscuras com qualquer amigo hipster. Pode parecer algo inútil, mas nunca se sabe quando aquela pessoa – vestindo camisa xadrez, bermudas skinny e tênis Vans, ouvindo um toca-fitas e bebendo café – vai se aproximar e querer puxar papo.

Se você já conversou com qualquer hipster provavelmente sabe que seu repertório de tópicos para uma conversa ocasional abrange três áreas do conhecimento: qual o melhor método de se fazer a própria cerveja, qual bicicleta tem melhor desempenho no trajeto até a cafeteria mais próxima, e qual a banda independente mais desconhecida você é capaz de citar. Até ontem eu não estava nem um pouco ciente da existência de tais assuntos, mas, esperando pela aula de francês, fui obrigado a me socializar com uma moça hipster – leia-se, ela começou a falar.

Depois de me contar – espontaneamente – que estava indo para a aula de holandês, e discorrer brevemente sobre a necessidade de se aprender uma língua que não o inglês, a moça começou a me fazer perguntas. As perguntas eram estranhamente aleatórias e suspeito que só serviam para encontrar um assunto que tivéssemos em comum. Ela começou com: “Você bebe?”, respondi que não. Depois ela pulou para: “Não tem muitas cafeterias por aqui, né?!”, respondi com um vago “É”. Até que ela chegou aonde queria. Perguntou: “E aí, tem ouvido alguma banda nova?” A princípio estranhei, afinal nem conhecia a moça, mas decidi responder da forma mais educada possível: “É, achei uma banda legal no YouTube hoje. Chama-se Branches”.

Caí na armadilha.

A moça, de alguma maneira, conhecia a banda. Fiquei surpreso por alguém na minha cidade também gostar de uma banda que tem pouco mais de 5 mil inscritos no YouTube. De qualquer forma, decidi deixar a conversa morrer por ali mesmo, mas a moça insistia em conversar, e agora parecia que tinha um assunto sobre o qual falar. Ela me perguntava a cada segundo se eu conhecia determinados cantores, e cada “não” que eu proferia parecia aumentar o seu orgulho. Então fiquei ali, a ouvindo falar sobre milhares de bandas independentes, com nomes irônicos e pouco conhecidas. Depois de uns dez minutos de monólogo, cheguei à conclusão que fui a coisa mais legal que aconteceu no dia da moça, a julgar pelo modo empolgado que ela falava sobre coisas que eu não conhecia.

Depois de ser salvo de uma torrente de informações sobre todos os tipos de bandas e grupos musicais pelo professor de holandês da garota, fiquei pensando em como poderia evitar tal tipo de conversa caso encontrasse outro hipster disposto a falar. Perdi metade da aula de francês por ficar avaliando o que motiva certo tipo de pessoa a querer citar tão freneticamente inúmeros nomes sobre os quais o interlocutor não está nem interessado. Cheguei a única conclusão: é uma espécie de competição, na qual quem conhece a banda mais obscura/desconhecida vence.

Por mais estranha e inútil que pareça tal competição, decidi me preparar para a próxima, caso involuntariamente eu me envolva em uma. Acho que nunca vou ser capaz de citar tantos nomes como a mocinha fez, muito menos de conhecer tantas bandas diferentes. Mas aposto que sou capaz de inventar uma banda da qual ninguém possui menor conhecimento sobre.


Então, decidi que quando perguntado sobre o tipo de música que ouço vou sempre dizer que gosto de 'Green Bay Vessel'. E, após apreciar a expressão frustrada do hipster, vou complementar com um: “O quê? Você não conhece? Pff... é uma banda de indie folk, do nordeste de Oregon. Deveria procurar sobre ela quando chegar em casa.”

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